Discussão Cinema e Periferia – FAU USP 06/12

Relato das falas dos convidados a tarde:

Daniel Santiago (Diretor de cinema)

O diretor iniciou sua fala diferenciando a produção de cinema livre da produção patrocinada. Lembrou-nos que há algumas premissas necessárias para a produção de um filme, e se baseou em seu trabalho “Brasilândia e suas histórias”(2006) para iniciar a conversa. Os pontos destacados foram:

– Qual o público alvo do filme? Esta abordagem define a linguagem, os elementos filmados, o teor do filme.

– Quais as informações e objetivos?

– O que de fato estamos passando e o que de fato pensamos em passar?

– Num documentário, não se trabalha um roteiro fixo, mas sim uma sinopse do que se quer tratar.

– Referências: Pizza, de Ugo Giorgeti

Sandra (moradora)

Observou que o trabalho desenvolvido é importante pois denota uma preocupação com o ser humano, ao mesmo tempo que busca um não distanciamento do campo profissional com a periferia.

Este distanciamento é observado nas políticas públicas, que acabam não compreendendo a situação de quem vive na região e acaba por fim tendo decisões equivocadas de solução urbana. O exemplo ilustrador desta fala foi o Parque Linear Jd. Damasceno. Ali haviam palafitas com ocupação precária, que foram substituidas por um parque linear projetado. Contudo, os antigos moradores desta região, sem opções de moradia, acabaram por fim ocupando outras regiões e construiram precariamente suas habitações novamente.

A aproximação dos estudantes com a população e a politização do rodoanel trouxe como reflexão a questão: o que a população deve fazer em relação ao rodoanel? E como as políticas públicas se situam? Novamente, o campo profissional deve estar cada vez mais ligado com a realidade urbana de cada ocasião, buscando a solução de problemas.

Clayton (projeto espremedor)

O convidado apresentou o trabalho do coletivo e convidou-nos para uma aproximação através do cine brasa – uma iniciativa de cinema itinerante educativo na Brasilândia.

Sua abordagem remeteu a educação como resposta ao descaso do poder público com a situação da periferia.  Apontou a importância do trabalho com as escolas, na formação de jovens inserindo-os na sociedade.

A politização na periferia foi apontada como um caminho para um entendimento cada vez maior dos problemas no país: o social, as drogas e o discurso ideológico (entre outros não citados).

Por fim, “a arte é a única ferramenta na periferia que pode mudar alguma coisa” (Clayton).



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Uma resposta para Discussão Cinema e Periferia – FAU USP 06/12

  1. rafaelgss disse:

    Por favor, quem esteve presente em outras apresentações, postar um novo top.

Os comentários estão encerrados.